sábado, 14 de novembro de 2015

Associação de PMs diz que é inadmissível associar crimes à represália por morte de policial

Representante da categoria rebate boatos de que policiais teriam matado 11 pessoas na Grande Messejana após morte de colega

Por Rosana Romão em Segurança Pública

sequência de mortes na Grande Messejana, que está sendo investigada mas ainda não há uma resposta oficial sobre o motivo e a autoria das mortes, tem sido tema de conversas em toda a Fortaleza. Alguns áudios compartilhados em mensagens através do aplicativo do Whatsapp falam em toque de recolherpara os moradores da região dos ataques, inclusive atribuindo essa ordem e a autoria do crime a policiais.
O representante da associação de policiais militares, Pedro Queiroz, rebate a informação. “É inadmissível essa história de que os policiais estão fazendo justiça com as próprias mãos. Nenhum policial em nenhum lugar diz isso para a comunidade. Toque de recolher é um “modus operandi” instalado por chefes de tráfico de drogas”, afirma.
De acordo com as mensagens, a sucessão de crimes tem acontecido em represália aos assaltantes que mataram o soldado Walterberg Chaves Serpa. O militar estava jogando futebol quando observou a sua esposa sendo vítima de um assalto. O soldado entrou em luta corporal com um dos assaltantes, mas foi atingido com um tiro. O PM foi levado para o Frotinha da Messejana, mas não resistiu e morreu. Ele foi o 13º policial assassinado em 2015 no Ceará, entre militares e civis.
A Polícia Militar acionou uma força tarefa para investigar as mortes. Viaturas e helicóptero fizeram a ronda na região, que abrange os bairros Lagoa Redonda, Curió e Conjunto São Miguel. Na principal avenida que liga os bairros, todos os comércios fecharam as portas durante a noite. As residências estavam fechadas e não se viam moradores, tampouco carros circulando. Noterminal da Messejana, o movimento também foi atípico.
“Mortes no Ceará têm todos os dias, a questão é que as pessoas não se preocupam”. (Pedro Queiroz)
Contraponto
De acordo com o representante dos policiais, a categoria está transtornada pela morte do colega, a forma como a mídia está relacionando esse assassinato com as mortes registradas na Messejana e a falta de apoio moral das autoridades competentes da segurança pública. “Eles têm que admitir que a violência se instaurou no estado. Fortaleza é uma das cidades mais violentas do mundo”, sugere.
Sobre o boato de que há policiais trabalhando mesmo durante a folga, Pedro Queiroz nega: “Isso não é verdade. O que acontece é que alguns estiveram na área para socorrer o policial [Soldado Serpa] e ajudar a viúva. A gente já vive uma situação muito difícil pra população querer se voltar contra a gente espalhando esses boatos”. 
Ele acredita que as mortes são resultado de intrigas de gangues para controlar o tráfico na comunidade. “Nós não podemos consertar uma dívida que não é nossa. Se o governo não fez a tarefa de casa, não deu educação e a situação está dessa forma, a culpa não é nossa. Nossos policiais ‘se matam’ para conter a violência, mas não podem carregar sobre os ombros a responsabilidade do governo”, critica.
“Eles (Governo) têm que admitir que a violência se instaurou no estado. Fortaleza é uma das cidades mais violentas do mundo”.
A Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar no Ceará (Aspramece) encaminhou um documento em caráter de urgência para o governador Camilo Santana, solicitando que ele receba a categoria para discutir sobre a violência que os cearenses estão sofrendo, atingindo até os agentes de segurança pública. “Na campanha, ele disse que ia cuidar pessoalmente da segurança pública. Nós não estamos pedindo nada além do que ele prometeu”, complementa.
“Camilo Santana deveria ter mais coragem e admitir que herdou do governo passado um estado com crise na segurança pública. E isso vem de anos! Era melhor ele assumir e pelo menos dizer que está tentando tomar medidas para mudar o quadro do que ficar enxugando gelo”, conclui.