segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cientistas descobrem imenso recife na foz do Rio Amazonas



Estrutura tem cerca de 10 mil quilômetros quadrados e surpreende por localização em área com pouca luminosidade e oxigenação.


Um imenso recife, com quase 10 mil quilômetros quadrados, acaba de ser encontrado na foz do Rio Amazonas. A descoberta, publicada na semana passada na revista Science Advances, é considerada surpreendente pela localização e pode mudar o entendimento científico sobre essas estruturas. Diferente dos típicos corais tropicais, o recife está numa região com pouca luminosidade, quase sem fotossíntese e oxigenação extremamente baixa.
Os cientistas seguiram pistas descritas em 1977 sobre a captura de peixes coloridos, típicos de recifes, na plataforma continental do Amazonas. A região do encontro das águas do rio com o Oceano Atlântico, é considerada improvável para a presença de corais, pois a pluma altera a salinidade, o pH, a penetração de luz e sedimentação.
“Nós encontramos um recife onde os livros dizem que não deveria existir um”, disse o coautor do estudo Fabiano Thompson, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), à National Geographic.
Eles tinham em mãos um velho mapa, desenhado a mão, que tornou os modernos equipamentos de GPS ineficazes. Por isso, as buscas foram realizadas com sonares e a coleta de amostras confirmou a descoberta.
“Nós coletamos os animais mais coloridos e fantásticos que eu já vi uma expedição”, disse a líder do estudo Patricia Yager, da Universidade da Geórgia, nos EUA.
As análises ainda são preliminares, mas é provável que os micro-organismos que prosperam com os sedimentos da pluma do Amazonas podem fornecer a conexão entre o rio e o recife.
“O estudo não é apenas sobre o recife, mas sobre como a comunidade do recife muda enquanto você viaja ao Norte ao longo da plataforma, como resposta à quantidade de luz que a região recebe sazonalmente pelo movimento da pluma”, disse Patricia. “No extremo sul, ele recebe mais exposição à luz, então muitos dos animais são mais típicos de recifes de corais e organismos que fazem a fotossíntese para se alimentar. Mas ao se mover para o norte, isso se torna menos abundante, e acontece a transição dos corais para esponjas e outros construtores de recifes que parecem se alimentar dos sedimentos da pluma do rio”.
Fonte: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5907305912424394900#editor/target=post;postID=6987659539339590408;onPublishedMenu=posts;onClosedMenu=posts;postNum=0;src=link