segunda-feira, 25 de abril de 2016

Conheça o coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro e chefe do temido DOI-Codi

Carlos Ustra foi chefe da unidade que foi palco de prisões e torturas de presos políticos, entre 1970 e Primeiro militar reconhecido pela Justiça como torturador e comandante de uma delegacia de polícia acusada de ser palco de mais de 40 assassinatos e de, pelo menos, 500 casos de torturas. Esses são alguns dos “feitos” de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel do Exército homenageado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a votação aberta do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, no último dia 17.1974

Morto em 2015, o gaúcho Ustra foi chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) de São Paulo no período de 1970 a 1974, em plena vigência do Ato Institucional nº 5. Foi uma das épocas mais sombrias da ditadura militar brasileira (1964-1985), que deu poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados. Ustra seguiu à risca essa cartilha.
À frente do DOI de São Paulo, ele ficou conhecido pelo codinome de Major Tibiriçá e, segundo levantamento do projeto “Brasil: Nunca Mais”, foi responsável por 502 casos de tortura e de mais de duas mil prisões políticas. Algo surpreendente para quem tinha acumulado uma carreira militar banal antes de se tornar um dos nomes mais temidos do regime. No Quartel General do 2.º Exército, na capital paulista, Ustra chegou a atuar na seção de informações apesar de sugestão contrária do resultado de um teste psicotécnico.

“Oficial incompetente”

Segundo o jornalista Elio Gaspari, no livro Ditadura Escancarada, Ustra foi qualificado por superiores como um “oficial incompetente” logo após cobrir férias de outro major em 1970. Em setembro daquele ano, porém, o gaúcho Ustra assumiria aos 38 anos o posto que o colocaria na história.
Dois anos antes de irromper o golpe militar, ele tinha sido promovido e mantinha uma vida típica de um jovem oficial: a esposa era professora pública, pai de duas filhas, um orçamento apertado, morava num “quarto-e-sala” e tinha um carro popular na garagem. Era considerado, conforme relata Gaspari, um homem calmo, de hábitos simples e que raramente elevava a voz.


Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/historia/conheca-o-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro-e-chefe-do-temido-doi-codi-8sed82y14k1b2hnuu1yxk5pnb